Sex Coach Tati Eckhardt responde: preconceito LGBT

Atualizado: 26 de Jun de 2020



Diversidade LGBT: A cor da minha pele, a minha orientação sexual e a minha condição social não interferem na sua vida, mas o seu preconceito interfere na minha.

Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.

Esta afirmação de Albert Einstein, dotada de um ligeiro sarcasmo, pois somente ele saberia a dificuldade que era desintegrar um átomo, que dirá o preconceito...



Pois bem, essa frase reflete um pouco do meu sentimento quando recebo perguntas extremamente preconceituosas através do Curious Cat. Mas felizmente, tenho fé no poder do diálogo e isso me motiva a continuar respondendo.



Pois se estão querendo ouvir minhas respostas, mesmo que não concordem, em algum momento, poderão começar a pensar diferente, percebendo o quão negativo e maléfico pode ser o seu jeito de pensar.



Daí, recorro a uma frase mais animadora, de Machado de Assis:

O medo é um preconceito dos nervos. E um preconceito, desfaz-se - basta a simples reflexão.



Deixo aqui um resumo da minha conversa com uma pessoa anônima, no Curious Cat:



Porque tem mulheres que não querem falar que não gosta de mulher também? Tipo, homem eu entendo, se ele assumir ser LGBT, ele vai ser discriminado por todos, seja homem ou mulher, pois sua masculinidade vai ser questionada. Mas mulher assumir que pega mulher... desconfio que não haja danos contra ela, homens, maioria esmagadora não liga pra isso, esse cara tem até fetiche nas bi, e mulher dificilmente vai rir ou ter preconceito com uma mulher bi/lésbica l, etc..



Pois é. Vivemos numa sociedade que, quem domina ainda é o patriarcado onde homens têm que ser machões, provedores e ditadores como todos têm de se comportar, como se o fato de outros homens gostarem de transar com homens fosse deixá-los menos homens. Ainda existe muito machismo.



Já as mulheres sempre foram alvo de prazer para os homens, um objeto de descarga de sêmen . A mulher era uma mercadoria que dava despesa. Saía da casa do pai com um dote que o pai fornecia para o marido para diminuir o prejuízo, (já que ele iria passar o resto da vida sustentando a mulher) e sua virgindade tinha que estar intacta, pois tinha de ser propriedade do marido. Se a mulher não fosse virgem, era devolvida. Não importava se elas tinham tesão ou não, em homens ou em mulheres. Nunca importava o que uma mulher queria. Ela tinha que ser sempre obediente, cuidadora, parideira, servindo a tudo e a todos.



Muitas vezes, o fato da mulher sentir prazer ou mesmo tesão já era motivo de condenação como puta. Parece que eu estou inventando, né, mas isso é real e histórico. A mulher era uma peça, uma mercadoria. Uma escrava.



Muita coisa mudou? Mulher independente? Disputando mercado de trabalho? Fazendo tatuagem? Querendo gozar? Que evolução! A mulher então, deve se sentir completamente resiliente de ter conseguido conquistar algumas poucas coisas que faça parecer que está em nível de igualdade com os direitos dos homens. Mas não é verdade! Além de tudo ter sido conquistado com muita luta, repressão e mortes para ter tais direitos resguardos.



Ainda hoje existe isso. A mulher ainda é alvo de tudo. Se eu uso roupa curta, sou provocadora, estou querendo aparecer. Se eu trabalho mostrando meu corpo como empoderamento feminino, eu sou ou já fui prostituta e muitos homens se acham no direito de mandarem fotos do pau deles sem a minha permissão, fazerem chamadas de vídeo sem a minha autorização. Eu tenho que ficar bloqueando o tempo inteiro, porque simplesmente acham que eu vou cair no chão com múltiplos orgasmos pela foto do pau deles, ou por vê-los na tela. Consegue, por um momento, se colocar no lugar de uma mulher, consegue me entender?



Na verdade, esse tipo de gente só pensa nele, nunca pensa se está sendo invasivo ou ultrapassando o limite do respeito. Pra esse tipo de homem, não tem nada a ver, é frescura da mulher. Tá reclamando demais. O mundo mudou e a vida está bem melhor para as mulheres agora.



Não tem problema se elas ainda ganham menos que a gente. Ela tá ali porque gosta de aparecer. Não é trabalho isso que ela faz, trabalho de mulher mesmo é cuidar da casa, de filho e de marido, por isso o mundo tá assim. É, ou não é?



Se falo de sexo e sou bissexual tenho que ser acrobata, transar com Deus o mundo, com plantas, animais e todo tipo de perversão porque senão a minha inteligência e conhecimento do assunto não vai valer de nada, porque sou conservadora demais.



Quando você fala que desconfia que as mulheres não sofram nenhum dano por se assumirem bissexuais ou lésbicas, isso só mostra o quanto você realmente não sabe. Você só conhece o lado dos fetiches dos homens vendo duas mulheres se pegando.



Por exemplo, se a mulher se assume bissexual, ela é indecisa, se ela se assume lésbica é porque tá faltando rola, se ela não se assume ela é antiquada e ultrapassada. Existe o preconceito dos dois lados sim. Homens e mulheres sofrem com o preconceito.



Eu conheço até mesmo mulheres que se forçam a ficar com outras mulheres só pra atender aos fetiches dos maridos. Ou seja, tudo é muito mais complexo do que você pensa.


Portanto, esse assunto não se encerra. Essa nossa conversa é importante por isso, pois vejo o que você consegue compreender e te mostro que existe muito mais por trás de uma simples pergunta que você acha que é inofensiva e você vê o meu lado como mulher, como feminista, bissexual, como bióloga, professora, cientista, escritora, mãe, avó e esposa e tantas outras coisas que não caberia num simples resposta. E assim, vamos aprendendo a ser mais tolerantes, percebendo a complexidade de cada ser humano.



No fim, acredito mesmo que temos que nos importar mais em conhecer bastante a nossa sexualidade, sem ficarmos nos preocupando se as outras pessoas estão se assumindo ou não.



Afinal, ninguém é obrigado a se definir ou se assumir, mesmo que sejam uma coisa ou outra. Enfim, cada um tem o seu tempo. Se você conhece alguma mulher que você acha que é bissexual ou lésbica e a pessoa não se aceita, essa pessoa certamente está sofrendo, não importa se eu ou você achemos que seria mais fácil para ela se assumir do que um homem entende?



Todos nós temos problemas. O que pode ser pra você um problema muito grande, para mim pode ser uma coisa muito pequena e vice-versa.



Fica cada vez mais fácil entender o outro quando nos colocamos um pouquinho no lugar dele, sem julgamentos. É assim que a gente cresce. É assim que desenvolvemos a nossa humanidade.



Espero ter ajudado.




Aqui mais uma vez, deixo essa reflexão e espero que você, leitor, leitora e leitorxs, consiga também pensar sobre este tema e avaliar em como anda a sua percepção sobre preconceito LGBT.



E, se você achar que precisa de ajuda, venha conversar comigo.


Tenho certeza que posso te ajudar!


Deixo aqui meu contato:


Whats: 48 984613629



Um abraço e até a próxima!

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