“Gosto de ser corno”: Tati Eckhardt Sex Coach fala sobre o fetiche do Cuckcold

Atualizado: Fev 23


Cuckcold está virando moda entre os casais ou é só uma coisa que estão botando na sua cabeça?

Nos relacionamentos monogâmicos, a pior ofensa para um homem é ser chamado de “corno” ou chifrudo, termo que vem dos cornos e chifres de alguns mamíferos como touro e boi, onde o touro é o reprodutor ativo e o boi é castrado e não serve para a reprodução. A analogia do termo seria que homem traído é o boi, é manso e não reproduz, não dá conta dos desejos sexuais da sua “fêmea”.

Mas nos tempos atuais, onde estudos apontam que estamos vivenciando a Terceira Revolução Sexual, cada vez mais pessoas estão se tornando adeptas a relacionamentos não-monogâmicos. Práticas como swing e ménage estão presentes na vida de muitos casais e o fetiche do Cuckcold, segundo o Sexlog, é o termo mais procurado nas buscas de sexo pelos casais.



Mas o que é o fetiche do Cuckcold?

Eu explico: Cuckcold é o termo em inglês, que é uma adaptação de cucko (o pássaro cuco). A fêmea deposita seus ovos em ninhos de outros pássaros para eles chocarem. Outra analogia com animais, não é verdade? Enfim, cuckcold é o termo utilizado para homens que gostam de ver suas esposas transando com outros homens, muitas vezes em situações de humilhação, que pode ser uma modalidade do BDSM.

Quem acompanha meus conteúdos, sabe que sempre deixo minhas DMs abertas para responder perguntas sobre sexualidade, seja no Twitter, Curious Cat, Instagram e até mesmo nos comentários do canal Sex Coach Brasil . Aliás, tem vídeo novo no Canal. É só clicar no vídeo e conferir!😉





Dessa vez, a pergunta veio pelo twitter. Olha só um trecho da conversinha que tivemos. Muito ilustrativa. Aproveitem!

Anônimo do twitter: Estou tentando transformar minha esposa em uma chifradeira. Como fazer isso? Já comecei aos poucos. Pedi ela para vestir roupa de putinha e usar shotinho socado. "Mas só dentro de casa e para mim" (não quero chocar ela).

Tati Eckhardt: Olá querido! Vamos refletir um pouco, ok? Se ela gosta de se vestir assim, se isso é algo que dá prazer a ela, você está na direção certa, só precisa ter paciência e também entender que ela pode simplesmente não gostar e não querer. Nesse caso, o certo é aceitar a decisão dela, a vontade da sua parceira.

Nem todos os seres humanos são naturalmente poligâmicos ou monogâmicos estritos, e muitas vezes temos nossa sexualidade fluida, queremos algo num momento da vida e em outro, queremos outra coisa. Pra resolver todas as situações referentes ao sexo (e com certeza, qualquer coisa na vida à dois), não tem jeito, é preciso ter diálogo!

Sentar pra conversar, falar sobre o assunto de forma leve, sem pressão é o que vai fazer vocês chegarem a um acordo que seja bom para os dois sem machucar um ao outro.

Deixe sua esposa falar um pouco mais sobre as coisas que ela gosta, deixe-a tranquila para expor melhor as suas vontades. Incentive ela a descobrir mais sobre sua sexualidade, seu tesão, seu orgasmo.



Lembre-se: incentivar não é pressionar. Manipular a pessoa amada não é amor, é puro e simplesmente egoísmo tóxico. Se ela estiver insegura, mostre que você está ali, não para julgar e sim, para ajudar.


Tente não usar palavras que podem fazer ela se sentir insegura: palavras de conotação negativa como: deixa de ser boba; você não tem coragem; tá com medo de quê? Esse tipo de coisa não vai ajudar. Só vai fazer com que, talvez ela faça somente para te agradar, e se magoe, e se machuque, e passe anos desconfiando do que você sente por ela, por mais que ela nunca fale isso pra você.

Ela precisa se sentir bem, sem medo do que os outros vão pensar, pois existe uma grande chance da sua mulher sentir aquela culpa e vergonha no sexo que foram passadas de geração a geração para as mulheres, nessa nossa sociedade patriarcal e misógina.

Então, usar o termo corno, chifradeira, pode deixá-la insegura e fazer com que ela fique travada.

Normalize a questão mostrando que é sexo, que é livre, que ela tem direito de ser livre e que, se ela quiser experimentar, ela pode. Mas, deixe claro que se ela não quiser, tá tuuuuudo bem porque o mais importante pra você é o tesão dela, entendeu?

Mais uma vez, lembre-se: Ninguém transforma ninguém. A pessoa se transforma sozinha, você somente vai poder ajudá-la a tirar o véu da culpa e das repressões causadas pela sociedade. Para ela se sentir segura em se abrir, precisa ter certeza de que você não a está usando para realizar os seus fetiches.

Mas se for algo que ela realmente não gosta, ela não deve fazer nem deve se sentir mal por isso.

Se o fetiche do cuckcold, pra você, for mais importante do que estar com ela, termine o relacionamento e procure uma pessoa que seja poligâmica como você. Nesse caso, você é quem vai precisar reavaliar a sua vida: o que vale mais a pena? Quais seus propósitos, entende? Ou seja, o quão importante é esse fetiche pra você? Mas jamais finja, não minta pra ela.

Agora, se for algo que ela sinalize interesse, depois que as coisas ficarem mais consolidadas na mente dela e ela perceber que pode e tem total liberdade para experimentar coisas e que não será julgada por você e que, o que os outros pensam não importa, aí sim, vocês podem usar termos e nomes que bem entendem, se isso deixar vocês com tesão.

Espero ter ajudado. Se precisar, não deixe de falar. Entre em contato, faça suas perguntas que eu terei o maior prazer em responder. Caso tenha interesse em saber mais do meu trabalho, entre em meu site, conheça os serviços disponíveis para consultorias online. Aproveite e dê uma olhada nas minhas redes sociais e no meu canal no YouTube onde falo de assuntos variados envolvendo sexualidade, relacionamentos e desenvolvimento humano. Abaixo, o conjunto de links que leva você até os meus conteúdos, que está sendo feito com todo carinho para você:


linktr.ee/tatieckhardt