Faça Você Mesmo: Do It Yourself (DIY): Representatividade Bissexual


Luiza Sonza assume sua bissexualidade ao gravar clipe beijando Carol Biazin.

Num dia desses qualquer da vida, do mês de fevereiro, no ano de 2021, ainda na pandemia, resolvi fazer umas peças de artesanato para enfeitar meu home-office.

Muito que bem, balancei meus dedinhos nas teclas do meu PC e fiz uma busca no google por “bandeira bissexual artesanato DIY” (Do It Yourself), só pra inspirar em algumas ideias de outras pessoas. Daí, eu fiquei chocada por não ter absolutamente nada! Fiquei cismada com aquilo.

Não lembro muito bem quais outras palavras eu pesquisei mas em todas elas tinha bissexual, e… Nada!



Lógico que a pesquisa foi antes do episódio do beijo entre Lucas e Gilberto no BBB21, mas calma que eu chego lá.

Comecei a ficar chateada por não ter achado nada: - Como assim, por que não existe artesanato LGBTQIA+ em conteúdos de DIY, nem de professores de artesanato e em nenhum lugar?

E depois fiquei chateada comigo mesma. Parei pra refletir um pouco e me perguntei por que “causa, motivo, razão ou circunstância,” eu realmente achei que encontraria alguma coisa?!

A minha reflexão de hoje é sobre a bolha algorítmica na qual se resume nossas vidas e sobre a representatividade bissexual.

Ao trabalhar com literatura bissexual, eu me conecto com pessoas da comunidade LGBTQIA+. De repente, por um brevíssimo momento, acabo imaginando, fantasiando que pelo fato de eu viver neste meio, estará todo mundo falando sobre a pauta bissexual, LGBTQIA+ etc, e a grande verdade é que não!



E porque eu não tinha visto o óbvio?

Na minha ilusão, vou esquecendo que, apesar de existir mais diversidade do que qualquer outra coisa no mundo, a representatividade bissexual ainda é muito baixa, onde ainda existe um apagamento da bissexualidade, na literatura, no cinema, na música, etc.

É importantíssimo ficarmos atentes a estas questões. Todos nós estamos envoltos num sistema que nos faz de mercadorias.

Acabamos nos tornando um joguete nas mãos dos algoritmos e se não nos mantivermos em constante vigilância, podemos ficar presos nas nossas verdades cada vez mais absolutas.

Precisamos refletir sobre tudo que está a nossa volta, exercendo um pensamento crítico para, justamente, não ficarmos presos na nossa bolha de cada dia, apáticos, sem poder agir quando necessário.



A maioria esmagadora das pessoas ao nosso redor está ainda ensinando “vovó viu a uva; menino veste azul e menina veste rosa” para nossas crianças, sendo que, na verdade, podem usar roxo, ou as duas, ou qualquer outra cor, por que são livres. Enfim, não é de se admirar, olha como anda o nosso país!

Na mídia, e até mesmo em canais de TV aberta, ainda vemos pouca coisa.

No BB21, o beijo bissexual que vai ficar na história, por outro lado, começa a levantar essa pauta e apesar do preconceito, dentre todos os outros absurdos cometidos lá dentro, aqui fora o discurso da mídia foi positivo, defendendo a causa.

Quando se tem pessoas na mídia assumindo papéis representativos, isso deixa uma marca importante, pois outras pessoas podem se identificar e também ter coragem para se expressarem livremente, se despindo do medo do julgamento alheio e da não-aceitação.

No cinema, eu me lembro de poucos personagens bissexuais. A Mulher Maravilha, que no filme, nem chega a ser mencionada como bissexual. Eu, pelo menos, só sei que ela é bissexual pelos quadrinhos. De qualquer forma, o BICINE está aí pra nos ajudar.

Na música, temos algumas figuras importantes: Ludmilla se assumindo bissexual, Anitta e Luiza Sonza, que declarou que ainda se sente receosa de falar sobre o assunto, mas resolveu assumir sua bissexualidade.

A visibilidade bissexual que pessoas famosas podem oferecer é imensamente necessária. Traz identificação para todas as outras que não são famosas. Mostra que a bissexualidade existe.

Enfim, o quanto de pauta LGBTQIAP+ ainda falta, principalmente conteúdo bissexual para ser abordado, e discutido, e refletido? Por isso, estou aqui também para dar a minha pequena contribuição.



Faço literatura bissexual e minha escrita criativa é sensível, sim. Sempre vou falar daquilo que está transbordando, emergindo de meu ser, seja uma pauta mais divertida ou mesmo mais delicada como esta.

É preciso falar para não gerar mais tabus, falar para desabafar, falar para curar.



No meu caso, mais escrever que falar. Pra mim, tem um sentido de propósito e também é terapêutico.

Precisamos quebrar tabus com as ferramentas que estão disponíveis a nós. A minha é a escrita. E a sua qual é? Vamos lá! Estamos juntes nessa! Não somos poucos, somos muitos, só precisamos aparecer e mostrar ao mundo que existimos.

Não tenha medo, você não está sozinhe!

Ps.: Após uma rápida busca no google hoje em dia já foi possível encontrar artesanato bissexual. Portanto, a como eu disse anteriormente, a visibilidade bissexual que pessoas famosas podem oferecer é imensamente necessária, traz identificação para todas as outras que não são famosas e mostra que a bissexualidade existe e que não é um bicho de sete cabeças.

O mundo muda conforme cada um de nós faz a sua parte. Então, mãos à massa, pois a Natureza não espera!