Diário de uma Bi: Setembro Amarelo e a População Transgênero LGBTQIA+

Atualizado: 10 de Set de 2020


Setembro Amarelo e a População LGBTQIA+

Florianópolis, 02 de setembro de 2020.



Olá, meu querido diário!



Ontem começou a campanha do Setembro Amarelo e eu, que apesar de me importar muito, ainda não tinha me engajado realmente na campanha. Ontem, achando que iria ser um dos assuntos mais comentados no twitter, me enganei. A hashtag #SetembroAmarelo tinha muito mais críticas do que apoio e engajamento.



Daí, percebi o quanto ainda precisamos levar a sério, o quanto ainda é preciso ajudar.


Fiquei ainda mais naquela motivação de fazer o meu melhor.



Para mim, este ano será de aprendizado, tenho muito ainda a aprender, mas se cada um de nós fizesse um pouquinho, tenho certeza que a gente ajudaria a salvar muitas vidas.

Não precisa muito, sabe, é só começar a se engajar, aprender um pouco e depois, abrir o coração: as ideias virão, ideias melhores.


Não adianta só reclamar que a campanha não dá certo. Essa onda de pessimismo está deixando todo mundo doente. Precisamos ter pensamento estratégico. Ou seja, se a campanha não está boa, vamos dar sugestões de melhoria. Vamos sair da nossa zoninha de conforto dos “cancelamentos” nas redes sociais das pessoas que estão fazendo alguma coisa.



Aqui está um trecho da pesquisa feita sobre a população transgênero. Um dado alarmante de uma triste realidade:


"A saúde da população transgênero está relacionada a vulnerabilidades, tanto por características próprias de cada indivíduo quanto pelos determinantes da sociedade na qual estão inseridos. Há níveis extensos e amplamente variáveis de envolvimento em comportamentos de risco à saúde dentro da comunidade LGBT. Além disso, as subcategorias de gênero e orientação sexual, que são tradicionalmente condensadas em uma categoria (ou seja, transgênero e bissexual), evidenciaram riscos surpreendentemente diferentes quando examinadas separadamente.



Foram observados neste estudo fatores intervenientes e variáveis com influência no desenvolvimento do comportamento suicida, com uma correlação entre fatores de risco modificáveis e não modificáveis. As questões sociodemográficas, de moradia e psiquiátricas compõem esses fatores, demonstrando possíveis relações com o quadro de ideação suicida e automutilação/autoagressão. Evidenciam-se, assim, situações passíveis de intervenção e de elaboração de estratégias e políticas que possibilitem melhorar a qualidade de vida desses indivíduos e reduzir as taxas de comportamento suicida.



Os achados deste estudo corroboram os apontamentos encontrados na literatura internacional acerca do comportamento suicida e as variáveis que podem estar relacionadas a esse fato".

Essas pessoas já carregam uma maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de sofrimento de ordem emocional. Eu, que me incluo na população LGBTQIA+, apesar de sofrer preconceitos e ter passado por muitas situações de vulnerabilidade por ser bissexual, ainda assim, é impossível estar na pele dessas pessoas. Não tem como sentir a mesma dor e angústia que eles sentem por conta do preconceito.



Mas, mesmo que eu não esteja na pele deles, eu consigo ter empatia e é aqui que está o ponto, meu querido diário: não precisamos necessariamente passar pela mesma dor para sentir empatia.



No fim, todos temos dores e angústias, cada qual em seu grau, e o exercício da compaixão e empatia cabe a nós. Não é mais uma escolha, é uma obrigação moral, uma necessidade de valorizar o ser humano, o outro que precisa de ajuda, muitas vezes essa ajuda é somente o não julgamento. Ninguém está pedindo esmolas.



O pedido aqui é a conscientização, a obrigação que todos têm de cuidar do próximo e respeitar as diferenças. Essas são as premissas básicas para se conviver em sociedade. Nós precisamos estar em engajamento cívico.



Não precisamos ser religiosos, seguindo preceitos de irmandade ou simplesmente sermos bons por mandamento divino. Cuidar um dos outros não é somente uma obrigação de quem se sente temente a Deus.



É ter a consciência de que isso é o certo a se fazer. É uma forma sensata de viver em sociedade, de melhorarmos como sociedade e sim, o pensamento coletivo é para a nossa sobrevivência também, nos beneficia e no fim, cuidar dos outros é cuidar de si.


Somos seres sociais e precisamos uns dos outros. Ninguém consegue viver sozinho.

Portanto, esse ano vai ser de aprendizado para mim, mas já me sinto feliz por ter começado. Espero que outras pessoas também comecem a se sentir incomodadas e sair da sua zona de conforto antes mesmo que aconteça com um de seus familiares, pois as estatísticas são gritantes: quem não está doente, provavelmente terá alguém na família que enfrentará alguma doença com pensamentos suicidas. É preciso agir! Comecemos por Setembro Amarelo e sigamos continuamente nesse engajamento, que é dever de todes.



Foi pesado, mas foi necessário, meu querido diário!



Até a próxima!🙏

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