Diário de uma Bi: “Perder a Virgindade” Dói?




Perder a virgindade ou ganhar a sua sexualidade?

Florianópolis, 11 de outubro de 2019.



Olá, meu querido diário!



Hoje resolvi tocar no assunto da virgindade. Muitas jovens têm me feito perguntas do tipo: se eu não usar camisinha na primeira vez, corro o risco de engravidar? Ou então: “perder a virgindade” dói?



Entre muitas outras questões, sinto uma preocupação com a educação sexual desses jovens, sabe, meu querido diário? Mesmo em meio a tanta informação, diferentemente de quando não existia todo esse acesso à internet, ainda é absurdamente notório o quão eles estão perdidos.



Mas o que me chamou mais a atenção dessa vez é o termo “perder a virgindade”.


Outro absurdo que ainda existe, e muito. Naturalmente, meu querido diário, mais uma vez, esse termo vai recair em quem? Na mulher, claro, que além de terem que se preocupar em sentir dor, têm que pensar na primeira vez como perder alguma coisa.



É histórico, eu e você sabemos, que a mulher foi doutrinada desde os primórdios a manter sua virgindade como sinal de pureza para o casamento e principalmente, a virgindade era sinal do valor da mulher, além de ser prêmio para o homem, como uma peça rara, uma mercadoria valiosa.



Um fardo que ele tiraria das costas do pai da noiva. Por isso, o dote, que a família da noiva dava ao marido, diminuindo seu prejuízo ao assumir aquela mulher. Ou seja, a mulher era um fardo para família e depois passava a ser um fardo para o marido.



Entende, meu querido diário, como a mulher ainda carrega o peso de ter sido um peso para a sociedade?



O seu valor se dá em “perder a virgindade” não em ganhar a sua sexualidade, como acontece com o homem.



Muitas vezes, no fim, a mulher vai se sentir culpada em algum momento, ou em relação aos pais, achando que não deveria fazer para não decepcioná-los, ou do próprio ato, caso tenha sido feito sem consideração, somente conquistado como se fosse um prêmio, deixará marcas psicológicas também, pois ninguém quer ser tratado como um objeto, que se usa e joga fora, não é mesmo, meu querido diário?



Pois é… certos termos estão tão arraigados na nossa cultura hipócrita e patriarcal, que muitas vezes, nem paramos para pensar o quão nociva essa expressão pode ser.



Por isso, meu querido diário, que não canso de teclar meus dedinhos desajustados e registrar assuntos que muitos não querem ouvir, porque são assuntos que incomodam mesmo.



Mas não me importo, enquanto eu tiver voz, eu venho aqui para alegrar, entreter, divertir, mas também venho pra incomodar.



Por hoje é só!



Bjos! Até a próxima!

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