Diário de uma Bi: Coronavírus e Revolução



Florianópolis, terça-feira, 24 de março de 2020, no isolamento do Coronavírus.



Olá, meu querido diário! Posso dizer que estamos bem nesta quarentena? A ficha está caindo? Será que percebemos que o mundo já não é mais o mesmo?



Por pior que possa parecer, vejo um novo rumo, vejo esperança em um mundo realmente diferente. Vamos lá, meu querido diário, você bem sabe que eu tenho fé no ser humano, mas muitas vezes é decepcionante perceber o nosso egoísmo. Nós não fomos criados e educados para pensar coletivamente: farinha pouca, o meu pirão primeiro?



Essa sempre foi a máxima, onde quem tem mais não compartilha, estoca.

Nós fomos internalizando uma ideologia de que temos que possuir tudo, não só para sobreviver, mas para ter poder e status sobre os outros, massageando nosso ego inflado e alienado da realidade.

O nosso sistema vigente promove e alimenta essa cultura. Mas será que é sustentável? I don’t think so…

Principalmente nos dias atuais onde o Coronavírus está espalhado por praticamente todo o planeta. Ele não escolhe classes, nem raça, nem gênero. O Coronavírus é bem democrático. Diante da nossa situação atual, a pergunta que não quer calar é: Será que existe salvação para a humanidade?


Pois, veja bem, meu querido diário, sempre que existe uma situação de emergência, vemos que o governos começam a tomar atitudes diferentes das do sistema capitalista em que nós vivemos, exatamente porque o capitalismo não se sustenta na coletividade. Ele entra em colapso se as pessoas começam a pensar no essencial para a sobrevivência, se elas param de consumir desenfreadamente e percebem que realmente não precisam de tantos bens de consumo para serem felizes, entende?

Ou seja, as pessoas começam a se ajudar, os governos começam a se ajudar e a mágica acontece. São pequenas atitudes, simples ações em conjunto que eles escondem e fingem que não funciona para nos manter na coleira do capitalismo.

Eu vejo o potencial comunitário que nós temos. Por que será que tantos se emocionam em ver uma notícia quando alguém se doa inteiramente pelo outro? Por que a maioria de nós sente empatia. A falta de empatia pode produzir psicopatia. Diante de circunstâncias calamitosas, a maioria de nós realça suas virtudes, pensando no próximo, ajudando a quem precisa.

Penso que de todo mal, conseguimos tirar algo bom. Esse Bem pode ser a mudança no modo como vivemos, na nossa interação com o outro, com o nosso ambiente, que é a nossa casa.

Talvez agora, um número infinitamente maior de pessoas consiga sair da cegueira do pensamento de massa. Essa massa de manobra que faz estabelecer o status quo, mantendo o pobre cada vez mais pobre e sem dignidade. Quem sabe agora, todos possam *subir nos pelos do coelho, para enxergar o horizonte e realmente poder ver a realidade. Essa Caverna de Platão, esse Matrix já não cabe mais a uma sociedade que acorda do entorpecimento do controle social, sexual, de gênero, classe e raça.

A população escolhe, vota, elege aquilo que acha melhor para todos, mas as nossas escolhas são contaminadas constantemente com sugestões para o que eles querem, eles, eu digo, uma minoria que domina o mundo e quer manter a sua prole dominando o mundo, e não para o Bem comum, algo que seja para TODOS.



A única saída é uma revolução, um movimento de baixo pra cima, onde nós, a população têm, realmente o poder de escolha do que é melhor para todos. Precisamos implodir os alicerces do capitalismo e essa cultura do patriarcado que só nos massacra e envenena.

Quem sabe agora, o mundo não seja realmente governado com o povo, pelo povo e para o povo. Quem sabe agora tenhamos autonomia para pensar e criar coisas que sejam boas para todos. Quem sabe agora, a nossa história comece a mudar, numa cascata trófica de *Botton-Up, não mais Top-Down.

E como diz minha querida amiga Rita Von Hunty, citando e re-citando o hino socialista:


Paz entre nós e Guerra aos nossos senhores!

Por enquanto é só, meu querido diário! Até breve, com mais pensamentos revolucionários!😉