Diário de uma Bi: Café com Criatividade


Tati Eckhardt com seu café fresquinho



Florianópolis, 03 de outubro de 2019.



Olá, meu querido diário! Estou numa cafeteria bem aconchegante que não conhecia ainda. Achei a minha cara!



Você bem sabe né, meu querido diário, o quanto eu gosto de cafeterias. É um hobbie para mim. Além de apreciar um delicioso café, gosto do ambiente de cafeteria. Nesta, em particular, tem um sonzinho ao fundo, uma bossa nova, música clássica...



Humm... eu adoro o cheirinho do café quando moído,  as pessoas conversando descontraídas, mas ao mesmo tempo não tem gritaria. São sons mais amenos, perfeito para estimular a inspiração.



Gosto de estar com pessoas, amigos, parentes, clientes, entre um café e outro ou um drink num fim de tarde. Mas existem aqueles momentinhos que gosto e até prefiro estar a sós comigo mesma. Momentos esses em que páro para estar contigo, meu querido diário, e poder registrar esses momentos especiais quando estamos juntos.




Sei que é bem difícil parar, mesmo por um momento, para organizar as ideias, para o autocuidado e higiene mental.



 Sei bem como é isso. Passei longos anos da minha vida em Síndrome de Burnout, completamente estafada e sem compreender o porquê de eu estar tão infeliz. Foi aquele tempo que ficamos separados, meu querido diário. Eu nunca tinha tempo pra você.



De vez em quando, tirarmos um tempo para fazermos algo somente por nós, sem destino, sem objetivos, sem causa nem consequência, simplesmente parar. Respirar. Pensar. Refletir. Organizar pensamentos, ideias e até mesmo sentimentos. Tudo isso é crucial para o mínimo de se ter uma vida mais leve, com mais qualidade, mais satisfação.



Parar é difícil. Parar consigo mesmo pode ser um dos maiores desafios nos dias atuais, principalmente quando fugimos de nós mesmas através do trabalho, do estudo, da família, dos filhos, do marido, da esposa, dos crushes, o que for.



Fugimos com a desculpa de que não podemos deixar de seguir a roda, que não pára de girar.



Pausa (fecho os olhos, mais uns goles de café quentinho).



Enfim, o que acontece é um entorpecimento coletivo porque não  estamos habituados a dar valor nas pequenas coisas e que a própria felicidade é poder perceber e desfrutar de um conjunto desses pequenos momentos.



Como escreveu o poeta Fernando Pessoa:


Tudo vale a pena. Se a alma não é pequena.


É por aí!



 Nós precisamos, antes mesmo de viver uma vida em plenitude, descobrir em nós o que é pleno. O que te deixa pleno, meu querido diário?



Por esse motivo que esse meu hobbie é mais do que simplesmente conhecer cafeterias bonitas, cafés de diferentes qualidades, é para mim, uma experiência sociológica, intrapessoal, mas que não deixa de ser interpessoal também, pois acabo conhecendo pessoas nesses lugares.



Portanto, amo meus momentinhos à sós comigo mesma, pois é um momento de autoconhecimento, é um momento de criação, é um momento para fluir e inovar, além de curtir o gosto e o cheirinho do café.



Meus cafés são sagrados. Afinal, meu querido diário, a vida é realmente muito curta para cafés ruins!



Bjos! Até a próxima!