Depressão e Suicídio de População Trans: O que Você Tem a Ver com Isso?

Setembro Amarelo: Campanha de Prevenção do Suicídio

Eu sei que o post de hoje é um assunto delicado, é incômodo, mas é extremamente necessário falar sobre. Estamos em Setembro e como eu prometi, voltaria a falar sobre o tema: suicídio. Setembro Amarelo é uma Campanha de Prevenção do Suicídio, criado pela Associação Brasileira de Psiquiatria, pelo Conselho Federal de Medicina.

A depressão e o suicídio estão intimamente interligadas pois, principalmente, umas das maiores causas que levam as pessoas a chegarem a pensamentos, tentativas e infelizmente, a morte, é a depressão.

A depressão é uma doença que atinge mais de 330 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, estamos acima da média mundial de pessoas com depressão e o suicídio é a segunda maior causa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos, 12 mil casos por ano.

Muitas pesquisas têm demostrando o aumento de suicídio da população LGBTQIA+. A Universidade de Oregon fez uma pesquisa que gays, lésbicas e bissexuais tem um risco de 5 vezes mais de morrerem por suicídio do que a população geral. No Brasil de 2017 a 2018 houve um aumento de 45% nas taxas de suicídio entre a população LGBT. Isso significa que a cada 20 horas uma pessoa morre de suicídio ou é assassinada no Brasil.

Segundo a ANTRA – Associação Nacional de Travestis e Transexuais, foram registrados 12 suicídios de pessoas transgênero no Brasil no primeiro semestre de 2019. Em 2020, no mesmo período, foram 16 suicídios. Isso quer dizer que houve um aumento do número de casos em 34%, sendo 6 homens trans e 10 mulheres travestis/trans.

Estudos recentes mostram que, além da vulnerabilidade socioeconômica da população LGBTI, a segregação e o preconceito cada vez mais agressivo contra ela, os casos de suicídio aumentaram nessa população. A pandemia agrava os problemas que já existiam, tornando cada vez mais agravante sobreviver neste país.

Pessoas que foram expulsas de casa por conta de ter a sua sexualidade questionada, a falta de empatia, a solidão em família, todos esses fatores agravam, ainda mais, a vida dessas pessoas.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, 90% dos casos de suicídio podem ser prevenidos:

"Por isso a gente tem sim que colocar o dedo na ferida, tem sim que falar, que pesquisar. E temos que achar caminhos. Acredito que o caminho é deixar de discriminar as pessoas trans, porque enquanto a gente não verbalizar, as pessoas vão continuar se suicidando. A gente já tem um número grande de pessoas trans que são assassinadas e agora temos mais esse número, muitas das vezes por uma ineficácia de políticas que trabalhe nesse caminho."

A Antra defende que, com um diálogo qualificado e aprofundado, com estudos e levantamentos feitos com pessoas da área da saúde mental diretamente envolvidas nas questões de saúde mental, será possível pensar em estratégias para minimizar os índices que são alarmantes em nossa população.

Portanto, o papel da gente é se unir, se integrar. Não adianta olharmos as notícias e ficarmos apáticos. O que você pode fazer pra ajudar? Comece não julgando, depois pesquise como você pode aprender a diminuir o seu preconceito em relação ao que é diferente de você. Precisamos ter empatia, nos amar mais, tirar a casca enferrujada da indiferença da nossa pele, daí, talvez possamos sentir algo que nos faça sair da nossa zona de conforto e nos movimentarmos em direção ao outro, numa atitude de carinho, de doação e ao mesmo tempo, sentir que é nossa obrigação fazer alguma coisa positiva no mundo.



Se você pode ajudar, se informe, tem muita coisa pra ser feita. Se você estiver precisando de ajuda, busque o CVV. Se você estiver precisando conversar, ligue 188 ou mande um e-mail pelo site cvv.org.br:

O CVV — Centro de Valorização da Vida, fundado em São Paulo, em 1962, é uma associação civil sem fins lucrativos, filantrópica, reconhecida como de Utilidade Pública Federal, desde 1973. Presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo e anonimato.

Se quiser tornar-se voluntário, também é possível se inscrever por lá. Basta ter mais de 18 anos, dispor de pelo menos 4 horas e meia por semana, passar por um treinamento e ter genuína vontade de ajudar. E vamos aproveitar o movimento do Setembro Amarelo para, juntos, garantir que a saúde emocional possa ser discutida nos 365 dias do ano, com menos tabu e estigma. Falar é a melhor solução!