A Bissexualidade existe? Orange Is The New Black

Atualizado: 6 de Mai de 2019




Estou acompanhando uma série chamada: Orange Is The New Black, original da Netflix, que já possui várias temporadas e está disponível há algum tempo. Eu poderia ter visto antes, mas não sabia do que se tratava e por algum motivo não tive interesse em começar a ver. Enfim, estou na segunda temporada e até agora, gostando bastante.



A série foi inspirada na história real da escritora Piper Kerman, que foi condenada por lavagem de dinheiro para uma operação de tráfico de drogas e relatou todos os detalhes em seu livro Orange is the New Black: My Year in a Women's Prison.



Ao longo dos episódios é possível perceber uma série de questões que realmente são muito relevantes que precisam ser discutidas nos dias atuais. Como é uma penitenciária feminina, logo, o foco são as mulheres.



Os conflitos são gerados através do preconceito que existe entre os policiais homens e mulheres para com as detentas. Existem questões de machismo, racismo, desvio de dinheiro público, corrupção, condições precárias na penitenciária e, além disso tudo, o preconceito entre elas também é algo abissal.


Elas segregam-se em pequenos grupos de brancas, negras, latinas, idosas, homossexuais, existe também uma transsexual negra, ou seja, tudo isso se torna uma panela de pressão pronta para explodir.

Mas o que mais me chamou atenção parece ser o menos óbvio, o invisível. A forma como Piper, que é bissexual, é tratada, mostra o preconceito entre as homossexuais contra as bissexuais.



É como se uma pessoa que sente atração física e emocional por homens e por mulheres fosse uma pessoa inferior, indecisa, meio bobinha, como se realmente não existisse pessoas que gostam de homens e também gostam de mulheres.




E isso faz também todo o sentido, vejo isso na vida real, não somente com mulheres, mas homens homossexuais também não levam os bissexuais muito a sério. Acham que estão dizendo que são bi porque têm vergonha dos outros ou porque não se aceitam.


Será que a pessoa bissexual não existe? Será que ela deve ter que ficar provando o que é o tempo todo talvez, com cálculos de porcentagem do quanto gostam de homens e de mulheres?

Pensando nisso, resolvi dar uma pesquisada para ver o que achava na literatura acadêmica sobre esse tema.



Encontrei artigos relacionados ao tratamento de homossexuais e bissexuais femininas na área da saúde (fonte), um livro voltado para a bissexualidade masculina, (fonte), entre outras poucas coisas encontradas no goolge acadêmico, alguns blogs interessantes falando sobre a comunidade LGBT, alguns ativistas. Achei ótimo!



Precisamos mesmo falar. E, analisei um texto bem apropriado para essa reflexão, que embasa um pouco o que estou falando aqui. Um estudo feito para uma dissertação de mestrado de Adriane Piovezan (fonte) sobre a literatura da identidade homoerótica feminina nos anos 50 à 70.



Segue o trecho de uma das personagens da autora Cassandra Rios:


“A personagem Laura de Copacabana posto 6- A madrasta cobra de suas amigas, frequentadoras da “boate”, esta posição de se assumirem enquanto lésbicas. Sua repulsa às bissexuais, como criaturas que não são decididas, que têm medo do preconceito ou buscam apenas a perversão, aparece neste trecho:



“Sabe Elizete, acho que você tem problemas. Medo de ser comprometida pela companhia da gente. Por que não vai embora? Você tem tendências dúbias. Deve ser uma bissexual que está completando sua fase, passando para o ciclo reservado aos homens. (...)



Há milhares e milhares de bissexuais, pulando de um lado para outro no mundo. Por que não haveria eu de deparar com algumas, na minha existência acidentada e repleta de aventuras?”



“Sua estratégia narrativa demonstrou ter ampla ressonância cultural, não ficando

restrita aos grupos homossexuais. Seus livros alcançaram um grande número de leitores e, o mais importante, colocaram para estes leitores a problemática homoafetiva.



Dialogando com seu contexto, Cassandra Rios tematizou a questão do

homoerotismo, tendo em mente a ideia de que uma produção cultural não é unicamente

uma criação individual.



A lógica interna de resistência do mundo ficcional criado por

Cassandra Rios apresenta-se como uma importante contribuição ao entendimento de um contexto repressivo, em que ela buscou realizar uma construção histórica do homoerotismo feminino na literatura brasileira.”



O preconceito existe em toda parte, mas aqui vamos refletir sobre esse tipo específico. A bissexualidade é, muitas vezes, tratada com termos pejorativos como:



  • Ah, ela não sabe o que quer!

  • Ela é lésbica e não quer assumir!

  • Ela é heteroflex!

  • É um fetiche!

  • Ah, você é mais homem ou mais mulher?

  • Só está nisso por diversão!



Acredito que escrever sobre esse assunto é importante. Mais importante ainda, mais do que falar sobre o assunto, é ouvir, ler, e depois, refletir e formar um novo pensamento partindo do princípio de se colocar no lugar do outro, aquele que está sendo julgado, criticado simplesmente por ser o que é. Se tivermos mais empatia, compaixão pelo outro.




Se começarmos a parar para pensar antes de irmos fazendo ecos vazios de sentido, ouvindo bobagens, insultos e repetindo isso como se fosse normal e engraçado, poderemos melhorar esse mundo. Se o respeito for a Lei, se o Amor for a Lei, tudo vai ficar mais possível.


Como os meus queridíssimos do U2, que amo tanto, cantam:“Nós não somos iguais mas somos os mesmos, portanto, temos que cuidar uns dos outros.”



Vamos cuidar uns dos outros.❤



Bjokas estaladas!💋



Até a próxima!

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